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Charley
Patton
Por
Helton Ribeiro
Nome
Verdadeiro:
Charley
Patton
Nascimento: 1881,
1887 ou 1891 (Edwards,
Mississipi)
Morte:
28/04/1934
(Indianola, Mississipi)
CD
Recomendado: Best
of Charley Patton (Yazoo),
Founder of the Delta Blues: 1929-1934 (Yazoo) e Voice
of the Delta: The Complete Paramount Recordings (Black
Swan), todos importados.
Charley Patton (e não Robert Johnson) era o verdadeiro rei
do Delta blues, e pode ser considerado o “pai de todos”. Ele foi
o primeiro astro do gênero, razão pela qual influenciou uma constelação
que aprendeu diretamente com ele ou ouvindo seus discos: Son House,
o próprio Robert Johnson, Howlin’ Wolf, Muddy Waters, John Lee
Hooker e muitos outros.
Acredita-se
que Patton conviveu e aprendeu com os primeiros bluesmen do
Mississipi, no início do século XX. Foi um dos primeiros a gravar,
e rapidamente tornou-se o maior vendedor de discos do gênero, na época.
Mais do
que isso, sua música é um verdadeiro compêndio do Delta blues,
reunindo todas as características do estilo. Hábil improvisador,
ele mudava a acentuação e a métrica das frases conforme lhe dava
na telha. Para incentivar a platéia a dançar, imprimia forte ênfase
ao ritmo, chegando a percutir o corpo do violão. Dava ênfase à técnica
do slide, usando um bottleneck (tubo afixado a um dedo da mão
esquerda) ou o instrumento deitado no colo, como um moderno lap
steel. Com a rouca voz de barítono, cantava temas que vigoram até
hoje no blues: bebedeiras, farras, desgraças e fatos reais. Ele
mesmo frequentemente figurava como personagem das próprias composições.
Era também
um espirituoso showman: quarenta anos antes de Pete Townshend e Jimi
Hendrix, já entusiasmava o público jogando o violão para cima,
tocando-o atrás da cabeça ou entre as pernas. E contribuiu ainda
para a imagem mítica do bluesman: beberrão, fumante inveterado,
mulherengo, briguento e estradeiro.
Se
tudo isso não bastasse, Patton deixou clássicos como Pony blues,
High water everywhere, Mississippi bo weavil blues, Down
the dirt road blues e High sheriff blues.
Pouco se conhece de sua infância. A família mudou-se de uma
zona rural isolada para trabalhar em uma rica fazenda no Delta do
Mississipi, a Dockery Plantation. O pai, Bill Patton, tornou-se um sharecropper,
cultivando um pedaço de terra arrendado da Dockery. Lá, o jovem
Charley conheceu alguns dos primeiros bluesmen da história, como
Henry Sloan, com os quais aprendeu a tocar.
Por volta
de 1915 ele já era um músico requisitado na região, tocando em
juke joints, festas e fazendas, frequentemente acompanhado de outro
violonista, o amigo e aprendiz Willie Brown (cuja história foi
romanceada no filme Crossroads – A Encruzilhada). O talento
o levava cada vez mais longe: Texas, New Orleans, Memphis, Chicago
e, mais tarde, Nova York.
Patton não
tocava apenas blues, mas também baladas tradicionais (Frankie
and Johnny, gravada por ele como Frankie and Albert),
gospel (Prayer of death) e ragtime (Shake it and break it).
Ao contrário da maioria dos músicos da época, não falava apenas
de amor, mas de temas cotidianos, geralmente retratando de um ponto
de vista pessoal a dura vida dos negros no sul dos Estados Unidos. Tom
Rushen blues fala sobre a prisão de um amigo (alguns
pesquisadores dizem ter sido ele mesmo) por embriaguez. High
water everywhere relata uma enchente terrível provocada pela
cheia do rio Mississipi em 1927: “Eram cinquenta homens e crianças
afundando e se afogando/ (...) Eu não achei ninguém em casa, e
ninguém jamais seria encontrado”. Quase um século depois, a cena
se repetiria em New Orleans.
Em 29, um
caçador de talentos, Henry Speir, o descobriu e o encaminhou à
gravadora Paramount, onde ele registrou quatorze músicas. Uma delas
era Pony blues, seu maior sucesso. No ano seguinte ele gravou
mais treze canções, acompanhado de Henry Sims ao fiddle (um
violino rústico semelhante à rabeca).
Os discos
ficaram famosos entre os negros de todo o sul, e muitos músicos
começaram a procurá-lo para aprender com ele. Son House, Tommy
Johnson e, um pouco depois, o mais jovem Robert Johnson, foram
alguns. Patton gostou de Son House, começou a tocar com ele e o
levou para acompanhá-lo na terceira sessão de gravações, ainda
em 1930. Willie Brown e a pianista Louise Johnson também
participaram da sessão. Nessa época, Patton passou a viver com sua
oitava mulher, a cantora Bertha Lee.
Em 34, a
American Record Company (ARC) levou o casal para gravar em Nova
York. A saúde de Patton já estava abalada pela bebida, e sua voz
ainda mais rouca. Em Poor me (“Pobre de mim”) ele
descreve-se como um fantasma vagando na noite. Em Oh death,
diz: “Alguém está me chamando/ Ó, Senhor, eu sei/ Que não
tenho muito tempo”. Poucos meses depois, estava morto.
Com exceção
de uma caixa de sete CDs que reúne todas suas gravações, a
maioria dos títulos disponíveis hoje são compilações, cujo
repertório difere pouco de uma para outra, apresentando basicamente
seus maiores sucessos. É
o caso de The Best of
e Founder of the Delta Blues. Para
quem deseja ir um pouco além, as 42 faixas de Voice of the Delta incluem também canções menos conhecidas (mas nem
por isso de menor importância).
Aos
interessados, um aviso: como as fitas master se perderam, tudo que
existe dele hoje foi regravado dos antigos 78 rotações, por isso a
qualidade sonora varia de ruim a péssima. Mas isso não deve
desestimular quem busca conhecer a gênese do blues.
Confira
também as biografias
Anteriores:
James
Brown
Steve
Ray Vaughan
Skip
James
Sonny
Boy Willianson
Clarence
"Gatemouth" Brown
John
Lee Hooker
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