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A Fender
Stratocaster - Parte I
Por
Edson Travassos
Para
qualquer um que pense em uma guitarra elétrica, a primeira imagem
que vem à cabeça é a do modelo "Stratocaster",
concebido e originalmente fabricado pela "Fender" e
atualmente copiado e produzido por praticamente todas as marcas
existentes no mercado. A prática de copiá-lo chegou a um ponto
tal, que atualmente a "Fender" ameaça processar qualquer
um que fabrique guitarras "stratocaster" com o seu formato
original de "headstock" (a parte da guitarra onde ficam as
tarrachas, chamada no Brasil de "mão", que fica na
extremidade da guitarra). Pode-se
dizer que a Stratocaster é praticamente unanimidade na preferência
dos grandes guitarristas de praticamente todos os estilos. Eis o
testemunho de ninguém menos que Eric Clapton: "Eu tenho
testado praticamente todas as guitarras que já foram feitas, e sem
dó, eu sempre volto para a Stratocaster... Aceite meu conselho,
pegue uma, plugue e toque. Eu acho que você verá o que eu quero
dizer." (A.R. DUCHOISSOIR, "The Fender Stratocaster",
Published by Hal Leonard) Realmente,
como eu já disse antes, existem duas guitarras de corpo maciço: A
Fender e a Gibson. O resto é apenas cópia, ou tentativa frustrada
de melhorá-las (com raríssimas exceções). A "Strato"
(apelido "carinhoso" da Stratocaster) é uma guitarra
extremamente versátil, com vasta possibilidade de timbres, de
configurações de captadores, de pontes e demais componentes. Se
você só pode ter uma guitarra. Pode ter certeza que sua escolha
deve ser a stratocaster. Um
pouco de História A
Strato nasceu no início de 1950, em Fullerton, sul da Califórnia,
perto de Los Angeles. Léo Fender, que já produzia a "Telecaster",
que pode ser considerada "o fusquinha das guitarras", como
diz o Lulu Santos (em uma matéria futura falaremos da Telecaster),
queria uma guitarra com trêmolo para competir com a "Bigsby" Há
várias controvérsias, mas pode-se dizer que a Stratocaster é
filha de principalmente três pessoas: Léo Fender, Freddie Tavares
(que teria sido o projetista do design da guitarra) e Bill Carson
(músico de Country que teria ajudado com vários "toques"
de o que se desejaria em um instrumento). Após
vários estudos e protótipos, foi lançada finalmente em 1954. Ela
tinha o corpo sólido de duas peças de "Ash", o braço
parafusado de uma peça de "maple", três captadores
single-coil e duas novidades para uma guitarra elétrica: -
O seu famoso "original contour-body" - o corpo todo
contornado, arredondado, sendo mais confortável e literalmente
"encaixando" no corpo do guitarrista, graças ao seu
formato ergonômico, seu peso balanceado, etc. -
A ponte com um trêmulo embutido, que atravessava o corpo da
guitarra, dando mais "sustain" e estabilidade à
afinação, ação mais precisa do vibrato, além de uma peculiar
sonoridade reverberadora graças à ação das molas. Originalmente
elas saíam apenas na cor "Two-tone sunburst" (um degradee
que saía do preto nas bordas, para um verniz amarelado no centro).
Pagando-se um pouco mais, poderia se adquirir uma cor "custom",
que era o "white-blondie" (um branco transparente), que
nas telecaster eram cor standart (e o sunburst era custom!), ou
então o "Blackie", preto como a guitarra mais famosa de
Eric Clapton. Um fato interessante é que atualmente uma guitarra
original da época nessas cores custam uma verdadeira fortuna pelo
fato de serem muito raras. Custavam
por volta de 200 dólares, e eram baratas, graças ao seu método de
construção e sua matéria prima. Enquanto as luxuosas Gibson eram
feitas com braço colado, mahogamy (mogno) etc, as fender eram
feitas com braços parafusados, o que facilita em muito a produção.
E a madeira era a usada em móveis baratos. Mas, afortunadamente, a
combinação inicialmente projetada para polpar custos acabou
gerando uma sonoridade única e apaixonante que viria a ser copiada
e tida como referência. Posteriormente,
em 1959, as Stratos passaram a ser feitas com corpo de "Alder"
e braço de "maple" com escala de "rosewood"
(jacarandá). Léo Fender achava que o rosewood tornaria o
instrumento mais luxuoso. A partir daí o sunburst mudou para "three-tone",
ganhando um vermelho transparente entre o preto e o amarelo
transparente. Existiam também todo um catálogo de cores custom,
que na verdade eram as cores dos cadillacs da época. Até
1966, quando a fender foi vendida por uma verdadeira fortuna para o
grupo CBS (13 milhões), a strato só saiu nesta configuração. Depois da venda,
o headstock aumentou de tamanho, a opção com braço todo em maple
voltou a ser disponibilizada e outras mudanças foram implementadas
para baratear a produção, como a mudança da matéria prima para o
hardware etc. O que resultou numa sonoridade mais fraca. Por isso as
guitarras chamadas "pré-CBS", as de antes de 1966 são
muito mais valorizadas. Porque são as verdadeiras fender com seus
timbres espetaculares. Na
década de 80 a fender foi novamente vendida e as strato mudaram
novamente. Atualmente a Fender disponibiliza modelos que são
cópias fieis às "pré-CBS", inclusive sendo produzidos
modelos em seu "custom shop" com os mesmos materiais e
maquinários utilizados originalmente na época. Mês
que vem veremos um pouco mais sobre a stratocaster e as
características sonoras de suas peças e configurações.
Um
grande abraço e até lá. Paz
e luz no caminho de todos
Confira
as dicas anteriores:
A guitarra de B.B. King
As
guitarras de Steve Ray Vaughan
As
principais madeiras utilizadas na fabricação de guitarras e suas
características
As
principais guitarras usadas tradicionalmente no blues e suas
características - Parte II
As
principais guitarras usadas tradicionalmente no blues e suas
características - Parte I
O Timbre
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Fender
Stratocaster 1954 2 tone sunburst, com braço de maple e seu case
original.

Fender
Stratocaster 1959 3 tone sunburst com braço com escala em rosewood

Fender
Stratocaster 1966 preta, com o novo headstock, maior, e novas
ferragens (inferiores)
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