A despedida de B.B. King

por Helton Ribeiro

 

Esta é a última chance. Depois da Farewell World Tour (Turnê Mundial de Despedida), o rei do blues praticamente se aposentará, passando a fazer apenas shows esporádicos nos Estados Unidos. As apresentações brasileiras serão em São Paulo (Bourbon Street, dia 30 de novembro, e Via Funchal, dias 02, 03 e 04 de dezembro); em Curitiba (Teatro Guaíra, dia 05 de dezembro) e no Rio de Janeiro (Rio Vivo, no complexo do MAM, dia 07 de dezembro). Veja detalhes abaixo.

   O Brasil foi o único país incluído no roteiro além do eixo Europa-América do Norte. A turnê nacional é promovida pelo Bourbon Street, do qual King é padrinho: foi ele que inaugurou a casa em 1993. E, nas últimas cinco vezes que veio ao país, as turnês foram sempre organizadas pelo Bourbon.

   Como aconteceu há dois anos, ele está sendo recebido como pop star. A procura por ingressos é tão grande que o Bourbon colocou em leilão dez pares de ingressos, atitude inédita no showbizz brasileiro. Até o fechamento desta edição, os lances chegavam a R$ 4 mil o par, e com certeza vão ultrapassar este valor. A renda do leilão será toda revertida para a Associação Cruz Verde, que atende crianças com paralisia cerebral.

   Na casa paulista, que tem apenas 400 lugares, duas mil pessoas se cadastraram em uma fila de espera antes de começar a venda de ingressos – cujo preço único, com exceção do lote leiloado, era de R$ 900. Desnecessário dizer que, em poucas horas de venda, os ingressos esgotaram-se. No Via Funchal haveria apenas um show, mas em poucos dias os ingressos também acabaram e duas datas extras foram sucessivamente abertas. A previsão é de que os seis shows no país tenham lotação completa. 

 

Os shows

 

   A Farewell World Tour começou em março e vai até o início do ano que vem, com mais de cem shows. Isso porque, aos 81 anos de idade, ele concluiu que era hora de reduzir o ritmo de trabalho... No passado, King chegou a fazer 300 concertos por ano.

   Ele vem, como sempre, com a banda de nove integrantes e a inseparável Lucille, a guitarra que seus bends e vibratos fazem chorar e gemer. O repertório dos shows terá alguns de seus muitos sucessos, como The thrill is gone, Everyday I have the blues, Let the good times roll, Rock me baby e Caldonia.

   Mas um show de B.B. King vai muito além da música. Para muitos fãs, vê-lo no palco é quase um ato de devoção, a personificação do blues. Sua apresentação no New Orleans Jazz Fest, no ano passado, foi definida assim pelo diretor do Bourbon, Edgard Radesca: “B.B. King não é mais apenas um artista, passou a outro patamar, é um ídolo. As pessoas estavam lá não só para ouvi-lo, mas para vê-lo. Quando ele entra no palco, parece que entra uma aura junto, que envolve o público. Ele faz rir e chorar, e fica um sublime silêncio quando está cantando”.

   Consciente de que é uma lenda viva, King recheia os shows de histórias curiosas sobre sua carreira e brincadeiras com a platéia, esbanjando simpatia - qualidade que é uma de suas marcas registradas. Em 2004, por exemplo, do palco do Bourbon ele tentou puxar conversa com uma mulher que estava em uma das primeiras filas. Percebendo a dificuldade dela em compreender o que dizia, desculpou-se como um lorde: “Meu inglês não é muito bom...”. E abriu um daqueles largos sorrisos que estampam suas fotos.

   Outra mostra de seu bom humor e espírito jovial foi quando, na coletiva à imprensa no mesmo ano, em São Paulo, ele foi perguntado se não pretendia se aposentar. “Se eu tivesse parado de trabalhar, não estaria aqui vendo esses rostos lindos”, respondeu, num galanteio às jovens jornalistas presentes.

 

A carreira

 

   Embora fosse um garoto pobre, filho de camponeses que trabalhavam em uma fazenda de algodão no Mississipi, ele já nasceu com nome de rei. Seus pais o batizaram como Riley B. King - assim mesmo, com o primeiro sobrenome abreviado.

   O pequeno Riley aprendeu a cantar em um coral de igreja e recebeu de um pastor suas primeiras lições de guitarra. Aos 18 anos, foi tentar a sorte na cidade, estabelecendo-se em Indianola. Lá, seguiu a sina da família, colhendo algodão em uma plantação, mas nos dias de folga tocava nas esquinas da cidade em troca de gorjetas.

   Em 1946 chegou a Memphis, onde o primo Bukka White, outra lenda do blues, o ensinou a tocar de verdade. Quando começou a se apresentar profissionalmente, adotou o pseudônimo de Blues Boy King, depois abreviado para B.B. King. Gravou alguns discos sem sucesso, até estourar com Three o’clock blues, em 52. Foi um dos primeiros bluesmen a conquistar o público branco, tocando em clubes de rock e atingindo a parada pop.

   Ao longo de sessenta anos de carreira, o rei já tocou em mais de noventa países, merecendo outro título, o de “embaixador do blues”. Entre muitos prêmios, ostenta quatorze Grammys. Foi eleito cinco vezes o melhor guitarrista do ano pela revista Guitar Player. Virou nome de avenida (em Indianola) e de estrada (um trecho da famosa Highway 61, no Tennessee). E será tema de um museu, que está sendo construído em Indianola, ao custo de 10 milhões de dólares.

   Para consolo dos súditos, embora esteja encerrando as turnês internacionais, vossa majestade não descarta a gravação de novos CDs. No ano passado, ele comemorou os 80 anos lançando B.B. King & Friends - 80, uma série de duetos com Eric Clapton, Elton John, Roger Daltrey, Mark Knopfler, Van Morrison, Billy Gibbons (do ZZ Top) e outros.

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ROTEIRO DA TURNÊ

30/11 • Bourbon Street - São Paulo

            End.: R. dos Chanés 127 - Moema

            Inf.: (11) 5095-6100 e bbking@bourbonstreet.com.br

02, 03 e 04/12 • Via Funchal - São Paulo

             End.: R. Funchal 65 - V. Olímpia

             Inf.: (11) 3089-6999 / 3897-4456

05/12 • Teatro Guaíra - Curitiba

             End.: Rua Conselheiro Laurindo s/nº - Centro

             Inf.: (41) 3304-7900 / 3304-7999

07/12 • Rio Vivo

             End.: Complexo do MAM - Aterro do Flamengo

             Inf.: www.vivorio.com.br

 

Informações sobre a turnê: 

www.bbking.com.br

 

O rei no Bourbon, em 2004 

(foto: Roger H. Sassaki)

 

 

 

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