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A
despedida de B.B. King
por
Helton Ribeiro
Esta é a última chance. Depois da Farewell World Tour (Turnê Mundial
de Despedida), o rei do blues praticamente se aposentará, passando
a fazer apenas shows esporádicos nos Estados Unidos. As apresentações
brasileiras serão em São Paulo (Bourbon Street, dia 30 de
novembro, e Via Funchal, dias 02, 03 e 04 de dezembro); em Curitiba
(Teatro Guaíra, dia 05 de dezembro) e no
Rio de Janeiro (Rio Vivo, no complexo do MAM, dia 07 de dezembro).
Veja detalhes abaixo.
Como aconteceu há dois
anos, ele está sendo recebido como pop star. A procura por
ingressos é tão grande que o Bourbon colocou em leilão dez pares
de ingressos, atitude inédita no showbizz brasileiro. Até o
fechamento desta edição, os lances chegavam a R$ 4 mil o par, e
com certeza vão ultrapassar este valor. A renda do leilão será
toda revertida para a Associação Cruz Verde, que atende crianças
com paralisia cerebral.
Os
shows
A Farewell World Tour começou
em março e vai até o início do ano que vem, com mais de cem
shows. Isso porque, aos 81 anos de idade, ele concluiu que era hora
de reduzir o ritmo de trabalho... No passado, King chegou a fazer
300 concertos por ano.
Ele vem, como sempre, com
a banda de nove integrantes e a inseparável Lucille, a guitarra que
seus bends e vibratos fazem chorar e gemer. O repertório dos shows terá alguns de seus
muitos sucessos, como The
thrill is gone, Everyday I
have the blues, Let the
good times roll, Rock me
baby e Caldonia.
Mas
um show de B.B. King vai muito além da música. Para muitos fãs, vê-lo
no palco é quase um ato de devoção, a personificação do blues.
Sua apresentação no New Orleans Jazz Fest, no ano passado, foi
definida assim pelo diretor do Bourbon, Edgard Radesca: “B.B. King
não é mais apenas um artista, passou a outro patamar, é um ídolo.
As pessoas estavam lá não só para ouvi-lo, mas para vê-lo.
Quando ele entra no palco, parece que entra uma aura junto, que
envolve o público. Ele faz rir e chorar, e fica um sublime silêncio
quando está cantando”.
Consciente de que é uma
lenda viva, King recheia os shows de histórias curiosas sobre sua
carreira e brincadeiras com a platéia, esbanjando simpatia -
qualidade que é uma de suas marcas registradas. Em 2004, por
exemplo, do palco do Bourbon ele tentou puxar conversa com uma
mulher que estava em uma das primeiras filas. Percebendo a
dificuldade dela em compreender o que dizia, desculpou-se como um
lorde: “Meu inglês não é muito bom...”. E abriu um daqueles
largos sorrisos que estampam suas fotos.
Outra mostra de seu bom
humor e espírito jovial foi quando, na coletiva à imprensa no
mesmo ano, em São Paulo, ele foi perguntado se não pretendia se
aposentar. “Se eu tivesse parado de trabalhar, não estaria aqui
vendo esses rostos lindos”, respondeu, num galanteio às jovens
jornalistas presentes.
A
carreira
Embora fosse um garoto
pobre, filho de camponeses que trabalhavam em uma fazenda de algodão
no Mississipi, ele já nasceu com nome de rei. Seus pais o batizaram
como Riley B. King - assim mesmo, com o primeiro sobrenome
abreviado.
O pequeno Riley aprendeu a
cantar em um coral de igreja e recebeu de um pastor suas primeiras
lições de guitarra. Aos 18 anos, foi tentar a sorte na cidade,
estabelecendo-se em Indianola. Lá, seguiu a sina da família,
colhendo algodão em uma plantação, mas nos dias de folga tocava
nas esquinas da cidade em troca de gorjetas.
Em 1946 chegou a Memphis,
onde o primo Bukka White, outra lenda do blues, o ensinou a tocar de
verdade. Quando começou a se apresentar profissionalmente, adotou o
pseudônimo de Blues Boy King, depois abreviado para B.B. King.
Gravou alguns discos sem sucesso, até estourar com Three
o’clock blues, em 52. Foi um dos primeiros bluesmen a
conquistar o público branco, tocando em clubes de rock e atingindo
a parada pop.
Ao longo de sessenta anos
de carreira, o rei já tocou em mais de noventa países, merecendo
outro título, o de “embaixador do blues”. Entre muitos prêmios,
ostenta quatorze Grammys. Foi eleito cinco vezes o melhor
guitarrista do ano pela revista Guitar
Player. Virou nome de avenida (em Indianola) e de estrada (um
trecho da famosa Highway 61, no Tennessee). E será tema de um
museu, que está sendo construído em Indianola, ao custo de 10 milhões
de dólares.
Para consolo dos súditos,
embora esteja encerrando as turnês internacionais, vossa majestade
não descarta a gravação de novos CDs. No ano passado, ele
comemorou os 80 anos lançando B.B.
King & Friends - 80, uma série de duetos com Eric Clapton,
Elton John, Roger Daltrey, Mark Knopfler, Van Morrison, Billy
Gibbons (do ZZ Top) e outros.
Compre
aqui o
CD King
of the Blues.
ROTEIRO
DA TURNÊ
30/11
• Bourbon Street - São Paulo
End.: R.
dos Chanés 127 - Moema
Inf.: (11) 5095-6100 e
bbking@bourbonstreet.com.br
02,
03 e 04/12 • Via Funchal - São Paulo
End.: R. Funchal 65 - V.
Olímpia
Inf.: (11) 3089-6999 /
3897-4456
05/12
• Teatro Guaíra - Curitiba
End.: Rua Conselheiro
Laurindo s/nº - Centro
Inf.: (41) 3304-7900 /
3304-7999
07/12
• Rio Vivo
End.: Complexo do MAM -
Aterro do Flamengo
Inf.: www.vivorio.com.br
Informações sobre a turnê:
www.bbking.com.br
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O
rei no Bourbon, em 2004
(foto:
Roger H. Sassaki)
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