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Clarence
"Gatemouth" Brown
Por
Helton Ribeiro
Nome
Verdadeiro:
Clarence
Brown
Nascimento:
18/04/24
(Vinton,
Louisiana)
Morte:
10/09/05
(Orange, Texas)
Discos
Recomendados:
The Original Peacock
Recordings (Rounder, importado), San Antonio Ballbuster (Charly e Red Lightning, lançado no Brasil
pela Paradoxx e na coleção de bancas Mestres do Blues) e Alright Again! (Rounder, importado)
À parte Buddy Guy, mais identificado com o Chicago blues,
Clarence Gatemouth Brown
foi o último grande bluesman da Louisiana. Discípulo
de T-Bone Walker, acrescentou ao fraseado elegante do mestre
elementos de country music, swing jazz, bluegrass, cajun e zydeco,
com um ataque mais agressivo. Como se não bastasse, costumava
alternar a guitarra com o violino, e sabia tocar também bateria,
piano, gaita e banjo.
Por tudo isso, o Boca
de Portão (que recebeu este apelido, Gatemouth,
devido à voz encorpada) tornou-se um músico bastante singular. Ele
é considerado o elo de ligação entre o estilo refinado de T-Bone
e o rhythm & blues de artistas mais modernos como Guitar Slim
(autor de Things that I used to do), Junior Guitar Watson (Gangster
of love) e Albert Collins. Avesso a rótulos, dizia tocar “música
americana”.
Embora nascido na Louisiana, sua família mudou-se para
Orange (Texas) quando ele ainda era bebê, o que influenciaria
decisivamente sua cultura musical. Aos cinco anos de idade ele já
se iniciava na guitarra. Com 16, versado em vários instrumentos,
caiu na estrada como baterista do obscuro grupo Brownskin Models.
Depois de servir na 2a Guerra Mundial, radicou-se
em San Antonio (Texas), onde assumiu a bateria de uma big band de
jazz. Mas, ao ouvir T-Bone Walker, descobriu na guitarra sua grande
paixão. Em 1947, gravou dois 78 rotações pela Aladdin, de Los
Angeles, e em 49 assinou com a Peacock Records, de Houston (a
primeira gravadora pertencente a negros). Por ela, lançou até 61
seus mais importantes singles, como Okie
dokie stomp, My time is
expensive e Ain’t that
dandy. Esse período está registrado em coletâneas como San
Antonio Ballbuster e The
Original Peacock Recordings.
Na década de 70, foi contratado pela gravadora francesa
Black & Blue. Em 78, gravou um LP para a poderosa MCA, liderando
uma big band (cujo percussionista, por sinal, era o brasileiro Airto
Moreira). A partir dos anos 80 trabalhou com a Rounder e a Alligator,
duas das maiores gravadoras do blues. Alright
Again!,
de 82, ganhou o Grammy.
Seu repertório
incluía, além de composições próprias, clássicos ecléticos
como Take the A train, St. Louis blues, Please send
me someone to love e Got
my mojo working. Os artistas com quem gravou também refletem
essa versatilidade: Eric Clapton, Ry Cooder, Bonnie Raitt, Jay
McShann e Professor Longhair, entre outros.
No final dos anos 70, Brown voltou para a Louisiana, passando
a morar em Slidell, na grande New Orleans, em cujo festival era atração
fixa. Mesmo sofrendo de câncer do pulmão e problemas cardíacos,
ele nunca parou de tocar, até os 81 anos de idade. Em setembro
deste ano, fugindo do furacão Katrina, ele refugiou-se com a família
na casa de um irmão em Orange, onde morreu.
Como B.B. King e John Lee Hooker, Gatemouth Brown foi um dos
poucos a percorrer toda a história do blues, começando antes da
eletrificação dos instrumentos e chegando ao século XIX. Duas
curiosidades: ele foi delegado de polícia (cargo que, nos Estados
Unidos, corresponde a assistente do xerife) e chegou a manter um bar
em Dallas.
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Clarence
"Gatemouth"
(foto:
Helton Ribeiro)
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