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Skip
James
Por
Helton Ribeiro
Nome
Verdadeiro:
Nehemiah Curtis James
Nascimento: 09/06/1902 (Bentonia,
Mississipi)
Morte:
03/10/1969 (Filadélfia,
Pensilvânia)
Discos
Recomendados:
Early Recordings (Biograph)
e Blues from the Delta (Vanguard),
ambos importados.
Na pequena cidade de Bentonia, no Delta do Mississipi, surgiu um
estilo particular de blues rural, que ficou conhecido como Bentonia
blues. Skip James foi o mais brilhante de seus poucos
representantes, frequentemente apontado como pai do estilo (e um dos
grandes pioneiros do Delta blues).
A influência do cantor, guitarrista e pianista foi marcante
sobre Robert Johnson (acredita-se que 22-20
blues, registrada no nome deste, era na verdade de James), Eric
Clapton (que transformou I’m
so glad em um dos maiores sucessos do Cream), Canned Heat (cujo
guitarrista Henry Vestine foi um dos responsáveis pela redescoberta
de James nos anos 60), R.L. Burnside (que gravou recentemente uma
versão assustadora de Hard times killing floor blues) e André Christovam, cuja regravação
da mesma música é um dos pontos altos do disco The 2120 Sessions.
As características do tal Bentonia blues estão todas em
Skip James: as incomuns afinações do violão em tons menores, o
fantasmagórico canto em falsete e letras soturnas como as de Hard
times (trilha sonora da grande depressão dos anos 30), Everybody leaving here (sobre o êxodo em massa dos negros do sul em
busca de uma vida melhor nos estados do norte) e Devil got my woman (“Eu preferiria ser o demônio/ Do que ser o
homem daquela mulher”).
James não foi propriamente o criador do estilo, mas foi ele
que o lapidou e lhe deu feições definitivas. Filho de agricultores
pobres, começou a aprender guitarra aos oito anos e dedicou-se ao
piano na escola. Ainda adolescente, foi organista de uma igreja, mas
tornou-se pupilo do guitarrista Henry Stuckey e passou a viajar
pelas cidades próximas acompanhando-o. Stuckey, que não chegou a
gravar, tinha servido na França durante a Primeira Guerra Mundial.
Lá, conheceu soldados das Bahamas, que tocavam violão usando uma
estranha afinação. Stuckey incorporou essa afinação ao blues e
ensinou-a ao jovem James.
Seguindo a tradição religiosa familiar (o pai era um pastor
renomado na região), James estudou teologia no seminário de Yazoo
e passou os anos 20 servindo a dois senhores, a Igreja e o blues pagão.
Em 31, descoberto por um caçador de talentos, gravou 26 músicas
para a Paramount, em Grafton (Wisconsin), das quais 18 foram lançadas.
Ganhou apenas U$ 40, quando a maioria dos bluesmen na época recebia
cerca de U$ 20 por cada música. Os discos venderam pouquíssimo,
embora essas gravações continuem rendendo dinheiro até hoje.
Desiludido, voltou-se para a Igreja, formando um grupo gospel
e ordenando-se pastor batista (em 32) e depois metodista (em 46).
Nos anos 50 abandonou também a música religiosa e pegou no pesado:
foi lenhador, dirigiu um trator e voltou a trabalhar em plantações.
Confira
também as biografias
Anteriores:
John
Lee Hooker (novembro de 2005)
Clarence
"Gatemouth" Brown (dezembro de 2005)
Sonny
Boy Willianson (janeiro de 2005)
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