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Bourbon
Street Fest: Homenagem a New Orleans
Pelo
terceiro ano consecutivo, o Bourbon Street Fest, promovido pela casa
de mesmo nome, trouxe a São Paulo vários grupos de New Orleans
para mostrar a rica diversidade musical da cidade americana. O
evento ocorreu na última semana de agosto, poucos dias antes de o
furacão Katrina arrasar a cidade-símbolo do jazz (leia mais sobre
o trágico desastre no editorial da pág. 04). Como sempre, os shows
foram no Bourbon e em palcos ao ar livre, com entrada franca, no
parque do Ibirapuera e na rua dos Chanés, onde fica a casa noturna.
O
pianista Davell Crawford fez o melhor show, com uma sucessão de clássicos
do rhythm & blues (a começar por Iko,
iko, composta por seu avô). Além da voz que já foi comparada
à de Little Richard e o suingue dos grandes pianistas de New
Orleans, ele não dispensa o lado entertainer:
trocava de roupa a cada duas ou três músicas, levantava-se a todo
momento do piano, fazia caras e bocas. O inquieto músico contou com
uma superbanda e o auxílio luxuoso do grupo vocal Nu Beginnings,
fazendo backing vocals. No final, Ivan Neville uniu-se a eles, e os
dois improvisaram um surpreendente duelo de piano (Davell) e órgão
Hammond (Ivan).
Terrance
Simien honrou a tradição do festival de trazer os melhores músicos
de zydeco da Louisiana, onde nasceu essa fusão de rhythm &
blues e cajun (que, por sua vez, é a country music afrancesada do
estado). Ele conseguia, ao mesmo tempo, tocar acordeon, cantar e
jogar colares coloridos para a platéia (pegando-os no chão com os
pés!). O final do show foi uma festa, com o público dançando e
meia dúzia de garotas subindo ao palco para tocar (ou tentar)
instrumentos de percussão.
Ivan
Neville, tecladista dos Neville Brothers, era o boa-praça do
festival. Além de tocar com sua outra banda, Dumpstaphunk, ele deu
canjas com Davell e Terrance, ficava o tempo todo circulando entre o
público e conversava animadamente com quem o abordasse. Embora
estivesse vindo pela primeira vez ao país, parecia totalmente em
casa. O Dumpstaphunk (cujo guitarrista é Ian Neville, primo de
Ivan) segue o estilo dos lendários Meters (do tio Art, pai de Ian),
com um groove poderoso mas também melodioso.
O
baixinho John Boutté, com um timbre de voz tão agudo que parece
feminino, privilegiou a soul music, ainda que com roupagem jazzística.
Seu melhor momento foi no palco da rua dos Chanés, quando baixou
nele o espírito de Sam Cooke. De arrepiar.
O
multiinstrumentista Chuck C conquistou o público com caretas,
rebolados e versatilidade. Tocando sax, gaita e flauta, transitou
pelo blues, o rhythm & blues e o soul, indo de Hoochie
coochie man a Stand by me.
A cantora Lisa Lee, convidada especial de Chuck, acrescentou
sensualidade ao show.
O
baixista Tony Hall, como era esperado, foi quem fez mais gente dançar.
Com um groove matador, detonou funk e um pouco de latinidade. A
cantora Paula Lima e Jabial Reed, do grupo vocal Nu Beginnings,
fizeram aclamadas participações especiais.
Da
cidade-berço do jazz não poderia faltar uma atração do gênero.
O trombonista Corey Henry mesclou jazz tradicional e contemporâneo,
e dividiu os holofotes com o saxofonista Vincent Broussard e o
convidado John Boutté.
A
All Stars Brass Band, reunindo integrantes de três dos melhores
grupos do gênero, representou uma das mais antigas tradições de
New Orleans. Dirigida por Corey Henry e tendo John Boutté como
convidado, adicionou um pouco de soul music e jazz tradicional à
combustão dos metais.
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