Festival de jazz no Amazonas. Robin Eubanks, Kenwood Dennard e outros tocaram em Manaus

 

por Helton Ribeiro

 

O estado do Amazonas, quem diria, está surpreendendo. Além de sediar o maior festival de ópera do país, também realiza um evento internacional de jazz, o Amazonas Jazz, que em sua segunda edição, em julho, trouxe várias atrações internacionais, entre elas o trombonista Robin Eubanks e o baterista Kenwood Dennard.

O local dos shows é uma atração à parte: o Teatro Amazonas, um dos mais bonitos do país. Seu palco giratório é um luxo, reduzindo os intervalos entre os shows, pois, enquanto uma banda toca, outra já monta seu equipamento.

E merece aplausos a iniciativa de popularizar o jazz: os ingressos para o teatro custavam apenas R$ 10, e todo o restante da programação era gratuita: shows ao ar livre, workshops, palestras e mostra de documentários. O festival é promovido pelo governo do estado.

 

Os shows

 

Kenwood Dennard, que tocou na banda de Robin Eubanks, roubou o show. Ele toca simultaneamente bateria e teclados, usando uma mão para cada instrumento. E até consegue solar, ou melhor, fazer dueto consigo mesmo.

O jazz eletrônico de Eubanks, influenciado pelo soul psicodélico de Sly Stone, cresce no palco. Ele usou um sequenciador para acompanhar a si mesmo, como se houvesse dois trombones; um oitavador, que deu ao instrumento o timbre da tuba, e um compressor para simular o som de guitarra.

Superando barreiras ideológicas, o trompetista americano Daniel Barry tocou jazz cubano com a Amazonas Band, a revelação do festival, que faria bonito até na ilha de Fidel. A big band é regida pelo maestro português Rui Carvalho, que é também diretor artístico do festival.

O trompetista Jeremy Pelt conseguiu fundir dois estilos aparentemente díspares, o cool e o fusion, acrescentando um toque de experimentalismo futurista.

O saxofonista Miguel Zenón, porto-riquenho radicado em Nova York, mostrou um neo-bop correto, mas foi mais interessante em alguns números reflexivos.

A Spokfrevo Orquestra, de Recife, causou sensação. Desceu do palco, saiu do teatro e foi tocar na praça em frente. Outras sete atrações, entre as quais Guinga e Egberto Gismonti, também participaram do festival.

 

 

 

 

Dennard toca bateria e teclados ao mesmo tempo (foto: Antônio Neto)

 

Teatro Amazonas é um dos mais bonitos do país (foto: Clóvis Miranda)

 

 

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