Soulive foi a sensação do Festival de Rio das Ostras

 

por Helton Ribeiro

 

A banda novaiorquina Soulive foi a sensação do 5º Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras (RJ), em junho, com um show dançante e cheio de energia. O maior festival de jazz do país trouxe também Ravi Coltrane, Stefon Harris, Robben Ford, Roy Rogers e Michael Hill, além dos brasileiros Romero Lubambo, Luciana Souza, Dom Salvador, Naná Vasconcelos, Hamilton de Holanda, Big Gilson e Dixie Square Jazz Band. O editor da BLUES'n'JAZZ, Helton Ribeiro, deu um workshop sobre história do blues.

Um público médio de 20 mil pessoas assistiu durante cinco noites aos shows no palco principal, na praia de Costazul. Como sempre, as apresentações eram reprisadas em outros dois palcos, na praia da Tartaruga e na Lagoa de Iriry. Tudo ao ar livre e com entrada franca.

 

 

Alguns shows

 

 

O Soulive, com a entrada do carismático vocalista Paul Toussaint, ficou menos jazzístico, porém com mais presença de palco e empatia com o público. O som foi baseado no funk e no soul dos anos 70, com pitadas de rock e reggae. A animação do quarteto ficou clara antes mesmo dele subir ao palco: um dos músicos perguntou ao produtor do festival, Stenio Mattos, se eles podiam tocar por mais tempo que o programado.

O jazz tradicional foi defendido pelo filho de John Coltrane, o também saxofonista Ravi. Ele honrou o sobrenome com arranjos sóbrios e fraseados que faziam lembrar mestres como Sonny Rollins, Dexter Gordon e, inevitavelmente, o próprio pai. Ainda não é um peso-pesado do sax contemporâneo como Joshua Redman ou James Carter, mas tem potencial para chegar lá.

Stefon Harris mudou muito desde sua última vinda ao Brasil, entregando-se de vez a um suave funk-soul-jazz. Enquando ele se revezava entre o vibrafone e a marimba, o tecladista Marc Cary pilotava um minimoog, que reforçou o sabor anos 70 do novo som do grupo.

O guitarrista Michael Hill surpreendeu e foi a revelação do festival. Depois de um show morno em Costazul, foi convidado a fazer outro, extra, encerrando o evento. Dessa vez, conquistou o público mesclando blues a Hendrix, Marley e Doors. Citou Aquarela do Brasil em Fever, e convidou os cariocas Big Gilson e Big Joe Manfra para canjas. Mas não deixou de lado suas preocupações sociais e políticas: explicou que a letra de Black gold (“ouro negro”) é sobre a ocupação do Iraque, e dedicou a George Bush outra música de protesto. Terminou a apresentação às 03h40 da madrugada, enquanto muita gente ainda dançava.

 

 

 

 

Soulive no palco principal (CREDITO: Valquíria Ferreira)

 

Ravi: honrando o sobrenome Coltrane (CREDITO: Valquíria Ferreira)

 

O guitarrista Roy Rogers (CREDITO: Jorge Ronald)

 

 

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