Duke Ellington Orchestra reviveu anos 30 em São Paulo

 

texto e foto: Luciano Máximo

 

 

Décadas de 20 e 30. Nova York da Lei Seca e da segregação racial. No coração do Harlem, músicos negros como Duke Ellington, Count Basie, Cab Calloway e suas orquestras despontaram para a fama tocando para brancos e celebridades em black-tie no glamuroso Cotton Club.

   Mais de setenta anos depois, com a bebida liberada e o preconceito um pouco mais contido, o Cotton Club, por uma única noite, se transferiu para o Bourbon Street, em Moema, zona nobre de São Paulo, com a apresentação da Duke Ellington Orchestra, em 14 de agosto.

   Quem anuncia a viagem no tempo à introdução de cada canção é o maestro e saxofonista Charlie Young, há vinte anos revezando com Paul Mercer Ellington, neto do 'duque', a liderança da big band. “Uma das razões da orquestra ainda existir é a de continuar revivendo fielmente cada som que marcou aquela época”, explica Young.

   Pela quarta vez no Brasil, a orquestra apresentou-se em oito estados, durante o Jazz Festival 2007, organizado em agosto pela Soltz Eventos. No show do Bourbon Street, 17 músicos desfilaram clássicos como Rockin' in rhythm, Take the A-train, In a sentimental mood, 20 cents blues, Happy-go-lucky local, The mooche, Do nothing 'til you hear from me (esta, com a cantora convidada Christine Mills) e Stars for lovers, baseado em sonetos de Shakespeare, obra que reforça o gênio de Duke Ellington em uma incursão na música erudita.

   Por fim, o suingue do repertório confirmou a tese do maestro Charlie Young de que o Cotton Club não vive apenas no passado. Os solos quebraram qualquer impressão apenas de virtuosismo por parte dos artistas, muitos deles juntos há mais de vinte anos na banda. “Tenho um papel simbólico na orquestra, porque cada espaço é preenchido por notas e harmonias precisas. A orquestra é uma família que se entende”, ressalta Young.

   Houve até tietagem após o show. O produtor de eventos Rogério Brandão saiu com sua rara edição brasileira, em vinil, do álbum Rockin' in rhythm autografada pelo pianista Tommy Jones, substituto de Duke Ellington ao piano.  

 

 

Duke Ellington Orchestra

 

 

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