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Cecil Taylor fez show histórico
no TIM Festival
por:
Helton Ribeiro / Fotos: Edgard Radesca
Ele
não é um músico fácil, mas escreveu um capítulo da história
do jazz. Só por isso, já valia prestar atenção no show do
pianista Cecil Taylor no TIM Festival, realizado
em São Paulo
, Rio e Porto Alegre
em outubro. Sempre
imprevisível, ele colocou um pandeiro dentro do piano, obtendo um
efeito percussivo; tocou de pé, enquanto discursava sobre a raça
humana; dançou ritualísticamente, e cantarolou baixinho o tempo
todo, enquanto tocava. Perto de seu complexo free, o resto do jazz
fica parecendo até óbvio demais.
O saxofonista Joe Lovano foi outra grande atração. Ele
trouxe seu premiado e vibrante noneto que inclui quatro saxofones.
Entre composições de Monk (Ask me now) e Miles (Boplicity),
a grande surpresa foi a citação de Fita amarela (Noel Rosa)
em um solo do baixista Dennis Irwin.
Bobby Hutcherson, convidado do organista Joey De Francesco,
roubou o show. Um dos maiores nomes do vibrafone, ele tocou com
empolgação, sorrindo durante os solos, e muito lirismo nos números
lentos.
O trombonista Conrad Herwig trouxe seu projeto de jazz
latino, e contou com participação especial de Raul de Souza,
fazendo interessantes duelos com ele, que usou um trombone de válvulas.
A noite de jazz europeu foi irregular. O saxofonista italiano
Stefano Di Battista e o pianista Eldar, nascido no Quirguistão,
fizeram os melhores shows. Showman, Stéfano contagia a platéia com
sua presença de palco e o bom humor. Além de órgão Hammond, o
quarteto teve a luxuosa participação do baterista Greg Hutchinson.
Eldar, um prodígio de 20 anos, foi a revelação do
festival, tocando com muita adrenalina, como se o mundo fosse acabar
no dia seguinte. Entre standards e composições próprias, sapecou Besame
mucho, num ritmo de quase tango.
O violonista francês Sylvain-Luc privilegia bastante o
ritmo, inclusive percutindo as cordas e o corpo do instrumento. Num
quarteto que incluía gaita, ele brindou os brasileiros com uma versão
personalíssima de Bahia.
Com jeito de mulher fatal e voz de criança semelhante à de
Blossom Dearie, a sueca Lisa Ekdahl cantou standards e canções em
seu idioma, com um pouco de influência de bossa nova. Seu trio
revezava-se em vários intrumentos: trompete, guitarra, piano,
contrabaixo e percussão.
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Taylor:
complexo e imprevisível
Lovano trouxe noneto
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