Ronnie Baker Brooks, muito além dos doze compassos

 

por: Renato Limão

 

 

   Nem só de doze compassos e três acordes vive o blues de Chicago, pelo menos não o blues contemporâneo. Foi o que Ronnie Baker Brooks demonstrou no projeto Sesi Jazz’n’Blues 2007, no Sesi Paulista (São Paulo), em 08 de dezembro. O guitarrista norte-americano, filho de Lonnie Brooks, encontrou o auditório com uma lotação muito aquém do que foi apresentado no palco.

   Logo na segunda música, um simpático Ronnie foi ao microfone: “some of you may not understand what I’m saying, but I hope you can feel it, I hope I can touch you…” (“Alguns de vocês podem não entender o que estou dizendo, mas espero que possam sentir, espero que eu consiga tocá-los”); e conseguiu. Muito feeling em um fraseado de guitarra forte, bastante tradicional, calcado muito no blues-rock mas sem esquecer grooves modernos. Verdadeiro showman, Brooks brincou com a platéia e chamou diversas vezes o público a interagir.

   Na banda, destacou-se o competente baixista Carlton Armstrong, com sua singular maneira de utilizar a mão direita de lado para dedilhar o instrumento e sua forte presença de palco. Completando o time, mas sem o mesmo brilho, estiveram Steve Nixon nos teclados e Tony Tucker Jr. na bateria.

   Um ponto fraco do show foi o som que chegava ao público. Uma equalização escondendo o contrabaixo e a voz, e uma guitarra com excessos de agudos obrigou Ronnie a (com maestria) mexer muito com a dinâmica da banda, fato que abrilhantou a apresentação permitindo que em alguns momentos sua voz ecoasse sem o auxílio do microfone por todo o auditório.

   O repertório, baseado nos álbuns The Torch e Take Me Witcha, ainda contou com algumas versões, com destaque para a interpretação de I believe to my soul, de Ray Charles.

   Por fim, antes da última música, onde Brooks literalmente passeou com sua Fender pela platéia, o guitarrista ainda deixou uma recado e uma lição: “Enquanto tiverem seres humanos na Terra, sempre haverá o blues”. E realmente, enquanto tiverem músicos e bluesmen como Ronnie Baker Brooks entre nós, o feeling da música negra norte americana estará sempre muito bem guardado.

 

 

 

Filho de Lonnie Brooks

 

 

 

  Assine a Blues'n'Jazz