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Um
safári musical na áfrica do sul
Assistir ao Cape Town
International Jazz Festival, na África do Sul, é como fazer um sáfari
musical. Ritmos africanos e roupas coloridas modelam o jazz da
maioria dos artistas do continente, enquanto atrações européias e
americanas levam o som mais tradicional. Realizado em 31 de março e
1º de abril, na Cidade do Cabo, o maior festival do gênero na África
teve quarenta atrações de mais de dez países em cinco palcos, além
de um show gratuito em uma praça da cidade.
Como é praxe nos grandes
festivais, o da Cidade do Cabo não se restringe ao jazz. Miriam
Makeba, o maior nome da música africana (que fez sucesso mundial
nos anos 60 com a música Pata-pata)
cantou para milhares de pessoas, durante sua turnê de despedida dos
palcos. Ela tem uma voz muito forte ainda, apesar da idade (74
anos), e conquista também pelo carisma. É impossível não se
contagiar.
O cantor
Sipho também mexeu muito com a platéia. É mais pop, quase
resvala na música baiana, com muita percussão e vibração. Na área
mais jazzística, uma boa surpresa foi outra cantora, Tina Schouw,
uma estrela no país, que tem boa voz e faz um jazz mais ortodoxo,
mas com alguns toques africanos. O saxofonista e cantor moçambicano
Moreira Chonguiça também é muito bom; sua música é animada, pra
cima, e ele não pára no palco.
Charlie Haden,
Chucho Valdés, Terence Blanchard, Freddy Cole, Ernie Watts e
Richard Bona, além de José
Feliciano, foram
os maiores nomes internacionais, ao lado de artistas menos
conhecidos da Espanha, da Suécia e até da Nova Zelândia.
Interessante também foi o Tributo a
Ray Charles, que reuniu artistas americanos e africanos.
Além do festival, foi uma
surpresa ver como o jazz, o blues e derivados têm presença nas
lojas de CDs. Os africanos, claro, se ligam muito em música, mas não
só nos seus próprios ritmos. Há artistas locais que tocam jazz e
blues à maneira americana, embora a tendência geral seja fundir
esses gêneros e todos os outros, como pop e soul, com as ricas
tradições locais.
A Cidade do Cabo é
maravilhosa. Lembra o Rio de Janeiro, pois tem uma natureza linda,
com montanhas, praias e a cidade espalhada em volta. Como no Pão de
Açúcar, a Montanha da Mesa também tem um bondinho, com uma vista
dominante da baía. A cidade é organizada, limpa, e tudo funciona
bem, o que certamente é uma herança da colonização holandesa.
A África do Sul é o pais
mais rico do continente. Parece-se muito com Brasil em termos de
potencialidades, riquezas naturais e desníveis sociais. O fim do
apartheid gerou uma mudança radical, para melhor, mas também
problemas. O fim da segregação racial e o crescimento econômico
incentivaram habitantes dos sofridos países vizinhos a emigrarem
para lá, aumentando muito a população pobre dos guetos.
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Charlie
Haden

Miriam
Makeba
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