Howard levy levanta a platéia ao tocar "amazing grace" no 5º encontro internacional de harmônica

Texto e foto: Robério Gonçalves

 

Em sua quinta edição, o Encontro Internacional da Harmônica provou, mais uma vez, que a gaita, o blues, o jazz e a música brasileira convivem harmoniosamente. 

O evento, que foi realizado na Choperia do Sesc Pompéia nos dias 2, 3 e 4 de março, em São Paulo, trouxe gaitistas dos Estados Unidos (Howard Levy), do Chile (Gonzalo Araya) e da Argentina (Juan Jose Troche). Do Brasil, as atrações foram Flávio Guimarães (Rio de Janeiro), Jehovah da Gaita (Pernambuco), Pablo Fagundes (Brasília), Thiago Cerveira, Ivan Márcio, Daniel Granado, David Tanganelli e Fernando Ricco (todos de São Paulo). Blues The Ville, Lupa Santiago Trio, Tiago Cerveira Trio, Prado Blues Band e Pé de Serrado foram as bandas que se revezaram no palco com os gaitistas.

A maior atração desta 5º edição, Howard Levy, o mais reverenciado gaitista do cenário atual, tanto do blues como do jazz, levantou a platéia ao tocar Amazing Grace (um clássico dos Estados Unidos), que, do ponto de vista dos amantes do instrumento, é uma música que utiliza técnica simples. Isso demonstra que o que interessa mesmo é a música, não a técnica em si. Mas, claro, os que foram ouvir (e ver) o mestre saíram muito satisfeitos. Dono de invejável capacidade de extrair notas “inexistentes” na gaita, utilizando o “overblow”, o músico esbanjou virtuosismo ao tocar jazz e blues. 

Ora na gaita, ora no teclado (ou em ambos simultaneamente), Howard deixou, muitas vezes, seus colegas de instrumento, de boca aberta. Tímido, mas “espalhafatoso” ao tocar, o músico é, atualmente, o principal responsável pela expansão da técnica da gaita diatônica no mundo, similar ao que ocorreu com Louis Armstrong, quando criou novas técnicas para o trompete.

O veterano Jehovah da Gaita fez bonito! O músico, que já tem quase 50 anos de carreira, interpretou clássicos da música brasileira, tocando com sabedoria a sua gaita cromática. Ele deu um brilho especial ao evento e uma dose de entusiasmo aos gaitistas que estão começando na estrada agora.

Gonzalo Araya começou bem a sua apresentação no segundo dia do evento e empolgou bastante a platéia, tocando um shuffle, mas ficou um tanto apagado quando o guitarrista que o acompanhou começou a cantar. Ele contornou esse problema ao tocar The thrill is gone, de B.B. King.

Pablo Fagundes, ao lado do grupo Pé de Serrado, interpretou também um repertório de músicas brasileiras, cuja escolha ele disse ter sido difícil, já que seriam poucas a serem tocadas no evento.

O divertido David Tanganeli (no palco, às vezes ele imitava Ray Charles e fingia-se cansado quando acabava um solo) fez brilhante apresentação ao lado de Daniel Granado e a banda Bues Deville.

Ivan Márcio abriu a última noite do evento e repetiu no palco o sucesso que já vem fazendo ao lado da Prado Blues Band.

Flávio Guimarães e Thiago Cerveira fizeram brilhantes apresentações. Thiago é um virtuose do instrumento; desde há muito tempo, quando tocava com Nuno Mindelis, já demonstrava novos cominhos para a gaita diatônica. Flávio Guimarães já tem vinte anos de estrada e sempre foi a maior referência da gaita no Brasil.

O 5º Encontro Internacional de Harmonica teve grande presença do público em todos os dias, mas lotou a Choperia do Sesc Pompéia no último dia do Encontro. Foi preciso o Sesc aumentar o número de mesas, mas muita gente teve que ficar de pé. É claro que o restante da platéia também levantou para aplaudir a jam de Howard Levy, Flávio Guimarães e Jeohvah da Gaita ao final do evento. Eles, e mais outros gaitistas, foram continuar  com a jam no Mr. Blues, templo do blues em São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

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